Nesta edição
Uma mentoria com alguém que está bem empregada, bem paga e mesmo assim inquieta, e a conversa sobre onde colocar a energia quando você quer mais. Por dentro da operação, o dia em que minha sócia olhou pra página que eu construí e disse "isso aqui tá parecendo três nerds codando", e por que eu desliguei uma isca que estava vendendo bem. No fim, um desabafo sobre um fim de semana em que eu tentei fazer nada. Sem culpa. Juro que tentei.
Meme da Semana

Dedicado ao meu fim de semana. Conto no fim da news.
Diário de Campo
Essa semana fiz mentoria com uma aluna que está num lugar que muita gente quer chegar. CLT sênior, numa empresa grande, salário competitivo (ela abriu o número, e é um número que muita gente no mercado não bate), gestor que elogia, equipe que ela gosta, dois dias presenciais só.
E ela chegou na call com uma inquietação: "será que eu não posso fazer mais?".
Não era o gestor cobrando e nem ninguém, era ela mesma. E eu sei bem, a gente tem essa mania de ser o “senhor de nós mesmos”. E se cobrar de entregar mais e mais, te aconselho a ler o livro sociedade do cansaço e vou falar mais sobre isso no fim dessa news.
Mas seguindo adiante, eu já me vi assim. Aparentemente tendo chegado "lá" (seja lá o que for esse "lá"), “sem ter o que reclamar” (coloca muitas aspas aqui, ok?), e extremamente infeliz. Louco como funciona a nossa cabeça, né?
E junto vinha a conta que todo mundo faz: tenho ambições que não cabem nesse salário, por melhor que ele seja, e eu sei que as coisas não estão fáceis, bem na nossa vez de ser adulto parece que tudo é mais dificil de conquistar, mas infelizmente essa é a vida que temos e não adianta ficar reclamando, vamos tirar o melhor proveito do que temos. E detro desse cenário ela estava olhando vagas pra trocar de emprego E pensando em fazer freela E pensando em empreender um dia. Tudo ao mesmo tempo.
Quando ela começou a me falar me veio a cabeça isso aqui 👇

Porque trocar de emprego e começar a fazer freela ou empreender são caminhos que demandam energia, e energia dividida no meio não entrega nenhum dos dois. Quando você troca de emprego, tem uma janela de meses aprendendo cultura, processo, ferramenta, política. Não é momento de prospectar cliente por fora. Quando você fica onde já nada de braçada, aí sim sobra espaço pra construir o extra.
Então a pergunta que fiz foi: o trabalho atual é ruim? Ela parou e respondeu que não. Pronto. A energia vai pro freela, e o emprego fica quietinho onde está.
E olha, você pode olhar para o meu cenário hoje e falar mas você não é essencialista, e olha eu me esforço muito para ser e entendi que ser essencialista é mais sobre a sua energia, hoje tenho muitos projetos rodando mas consigo colocar a energia ondde importa no momento que preciso, e é a mesma coisa aqui, entende? Não quero que ela saia do trabalho, mas a energia que ele hoje demanda dela é menor que um outro emprego, então é preferível que ela foque em conseguir um freela e sim a atenção será dividida, mas tudo bem, essa é sociedade e momento que vivemos (vou falar em uma outra news sobre esse tema de trabalhar e fazer freela ao mesmo tempo)
Mas agora, quero que você preste atenção nesse outro ponto que vou te dizer…
Eu perguntei qual era a ambição dela. Ganhar mais, aprender mais ou ser promovida? Parece a mesma coisa. Não é. Cada uma tem um plano diferente.
E se a ambição for promoção, eu falo isso e as pessoas não acreditam em mim: ninguém é promovido por capacidade técnica. Capacidade técnica é o que te impede de ser demitida. Entregar bem, saber fazer, resolver o problema: isso segura sua cadeira. O que te move de cadeira é saber se relacionar, saber VENDER o que você está resolvendo e dizer pro seu gestor, em voz alta, que você quer a próxima.
Aprendi isso com meu marido. Eu era CLT achando que iam ver meu valor e me chamar. Ele sentava com o chefe e perguntava: "quando vem a minha promoção? Olha o que eu estou entregando além do pedido". Quando abria vaga, ele era o primeiro nome. Eu ficava esperando ser descoberta.
E tem a parte que ninguém gosta de ouvir: em muita empresa, especialmente nas que funcionam em escadinha, só tem promoção quando alguém sai. Isso não depende de você. Aceitar isso cedo poupa muita frustração.
O que depende de você é a métrica que você controla. E aí eu falei pra ela o que eu falo pra todo cliente: por que a gente monta funil pra controlar e-mail, vendas e não monta funil pra própria carreira?
Se a ambição é trocar de emprego, a métrica é quantas vagas você se candidatou, quanto tempo passou entre a vaga abrir e você se candidatar (isso muda MUITO a chance de aprovação), quantas entrevistas saíram disso. Se a ambição é freela, é quantas pessoas você abordou, quantas propostas enviou, quantos conteúdos postou? Mapa dos sonhos no papel eu acredito, faço também. Mas sem plano de execução ele fica no campo das ideias.
Pra mim, o erro mais comum não é falta de competência. É colocar metade da energia em cada caminho e depois achar que nenhum funciona.
PS: lição de casa dela foi passar o fim de semana escrevendo o que quer AGORA, não daqui a cinco anos. E entrar no portal de vagas do Radar pra começar a dar match. Nada de decisão no escuro.
Por Dentro da Operação
Como você sabe se o seu site está atraindo o cliente certo antes de ter cliente?
Resposta honesta: você não sabe. Você descobre testando.
Contexto: estou montando uma frente nova de operações inteligentes com dois sócios, focada em empresas na Europa. Essa semana coloquei a página no ar com um visual bem tecnológico, estética de terminal, símbolos de programação, a coisa toda. Eu estava orgulhosa (fiz sozinha com IA, sem saber abrir um Photoshop, então o orgulho era legítimo).
Minha sócia abriu, olhou e falou: "tá lindo. Mas parece três nerds codando IA".
O argumento dela: o dono de agência que a gente quer atrair não quer firula. Ele tem problema ESTRUTURAL antes de ter problema de tecnologia. Se a página grita "automação", ele chega pedindo "bota IA no meu atendimento" e some quando ouve que existe um mês de diagnóstico antes de qualquer automação.
Meu contra-argumento: o povo não tem esse nível de maturidade. O povo está desesperado pra colocar IA na operação, ponto.
Ficou combinado um meio-termo. A tecnologia aparece, mas como prova de que a gente sabe fazer, não como o produto. Porque o produto é pensamento crítico de operação. Automatizar caos só faz o caos acontecer mais rápido.
Segundo aprendizado da mesma call, e esse doeu mais: a gente perdeu um cliente que QUERIA fechar. Ele disse "começo mês que vem, vai entrar um cliente grande e aí consigo te pagar". O cliente grande entrou. Junto veio um processo judicial de outro cliente. Ele teve que demitir gente e o projeto morreu.
O que eu faria hoje: assina o contrato agora e flexibiliza o pagamento. Contrato assinado cria compromisso dos dois lados, e quando a tempestade vem, o projeto já está rodando em vez de esperando. Não tinha contrato. Não tinha nem jurídico envolvido. Agora tem.
E tem um aprendizado que atravessa tudo isso, na Shift e na DTM: às vezes o desafio na empresa é a operação acompanhar a venda. A gente foca tanto em focar em vender loucamente, mas uma operação mal estruturada pode acabar com as vendas também. Essa semana mesmo, do outro lado do meu negócio, eu desliguei uma isca que estava rodando bem. Motivo: gerou lead demais e eu não estava dando conta de atender. Venda que a operação não sustenta não é crescimento.
E ta tudo bem, to organizando e estruturando para uma pessoa assumir o comercial da frente educacional aqui e vou focar na geração de demanda e estrutração de outras frentes, mas enquanto isso não acontece eu optei por segurar o investimento.
A gente vai descobrir se está certo do jeito que se descobre tudo em negócio novo: tentativa e erro.
Se a sua operação cresceu e virou um caos que depende só de você, é disso que a Shift cuida, dá uma conferida aqui: shiftoperation.com
Conteúdo Gratuito
🆚 Na Gringa vs. no Brasil
Essa semana abri uma discussão no Instagram sobre consumir material de CRM e RevOps da gringa versus o que a gente produz aqui no Brasil. E dela saiu um compilado: um guia de links com 9 temas (forecast, lead scoring, handoff, arquitetura de CRM, IA, RevOps e mais), sempre em dupla: o material gringo e o equivalente brasileiro, lado a lado.
Salva o documento e vai abrindo por tema conforme a necessidade aparecer na sua operação.
Reflexões de uma Empreendedora
Lembra que lá no Diário de Campo eu prometi voltar num assunto? Então, chegou a hora.
Esse fim de semana eu não fiz nada.
E não foi "não fiz nada" de quem descansou. Ok, eu parei agora às 19h para escrever a news. Mas juro que antes disso, não fiz nada mesmo. Foi um exercício: tentar fazer nada SEM CULPA. Confesso que a segunda parte não saiu perfeita. A cabeça fica cobrando produtividade até no sofá, listando o que eu podia estar adiantando, como se descanso precisasse de justificativa.
Aliás, já faz alguns meses que eu não entro nas redes sociais de fim de semana. E outra prática que eu faço é apagar os apps de social do celular, constantemente. Parece radical, mas é o único jeito que eu achei de não cair no automático de abrir o app sem nem perceber. E aí ter todas as consequências de ansiedade e comparação que ele traz para nós.
E é exatamente disso que o Sociedade do Cansaço fala. A gente não precisa mais de um chefe gritando, porque a gente internalizou o chefe. Virou senhor e escravo de si mesmo ao mesmo tempo, se explorando voluntariamente e chamando isso de liberdade. Quando eu li isso, doeu, porque eu saí do CLT justamente pra não ter chefe e olha eu aqui, sendo a chefe mais exigente que eu já tive.
Percebe que é a mesma coisa que a aluna do Diário de Campo estava fazendo com ela mesma? Ninguém cobrando, e ela lá, se cobrando. Eu no sofá, me cobrando.
E o timing disso não é aleatório. Na mesma mentoria, ela devolveu a pergunta: qual era a MINHA ambição? E eu respondi uma coisa que há três anos eu não diria.
Minha ambição hoje não é financeira. É tempo.
Não estou dizendo que dinheiro não importa (está longe disso, afinal ainda não faço fotossíntese e vivo em uma sociedade capitalista). Mas fiz algumas escolhas... reduzi padrão de vida, saí de São Paulo. Tudo pra deixar dinheiro dentro da empresa. Porque pra mim, nessa fase, a ordem é essa: CNPJ rico, CPF pobre. Primeiro a empresa engorda, ganha caixa, ganha previsibilidade. Depois ela me devolve com folga o que hoje eu escolho não tirar. O CPF rico vem. Por último.
Conto isso porque essa semana, em duas conversas diferentes, alguém assumiu que ambição é sinônimo de ganhar mais. Às vezes é cargo, mesmo ganhando menos. Às vezes é remoto, mesmo ganhando menos. Às vezes é tempo.
Não tenho conclusão arrumadinha. Só sei que é meio irônico ter ambição de tempo e, quando o tempo finalmente aparece num fim de semana vazio, não saber ocupar ele sem culpa. Ainda estou aprendendo essa parte.
No fim, o gato lá do começo tinha razão: o ruim é ter que trabalhar. Mas é o que está tendo, hahahah. Brincadeira, quem me vê assim mal sabe que eu AMO trabalhar. Talvez até demais, e olha a gente de volta no Sociedade do Cansaço.
Se você também está tentando descobrir qual é a sua ambição (ou só quer um lugar pra falar disso sem soar ingratidão, porque "não tem o que reclamar", né?), a comunidade gratuita de CRM é onde essa conversa acontece com gente que está no mesmo barco. Entra aqui:
Até Semana que vem!
Gabs

