Nesta edição: Um papo desta semana com alguém que acabou de ser contratada pra uma vaga 100% estratégica e chegou aqui com uma pergunta só: "como é que eu faço?". A resposta não passou por ferramenta. Passou por priorização, por saber ouvir antes de resolver e por entender que capacidade técnica não é o que promove ninguém.

Tem também o vídeo em que abro o caminho do zero à especialista, o Manual de Sobrevivência Laboral que a gente construiu, o episódio novo do Café com Retenção e uma reflexão honesta sobre não dar conta de tudo.

Meme da Semana

É brincadeira, mas é a edição inteira resumida: o incêndio é exatamente o mesmo nos dois lados. O que muda é saber o que dá pra deixar queimando essa semana.

Diário de Campo: o mercado está dividido entre quem aperta botão e quem entende CRM

Essa semana eu entrei num onboarding do CRM UNI, saindo de uma reunião de time, e do outro lado tinha uma pessoa que estava vivendo uma das semanas mais bagunçadas da vida dela: última semana na empresa antiga, documentando tudo, treinando quem ia ficar no lugar, e começando no emprego novo no dia seguinte ao último dia. Zero folga entre um e outro.

O emprego novo era exatamente a vaga que ela queria. Varejo, e-commerce, sozinha no CRM, com uma pessoa de apoio pro operacional, porque a liderança pediu que ela ficasse 100% em estratégia.

E aí veio a pergunta que ela levou pro call:

"Eu nunca fiquei numa parte 100% estratégica. Como é que eu faço?"

Ela já fazia report, já olhava métrica, já tocou projeto sozinha. Não faltava execução. A empresa anterior simplesmente não ia promovê-la, mesmo com ela fazendo o trabalho de quem já era estratégico. Ela precisou sair pra receber o cargo que já estava exercendo, e isso acontece o tempo todo. E depois de conversar muito a gente percebeu que ela já sabia o que precisa ser feito, só estava ansiosa mesmo.

E sabe de uma coisa? A ansiedade no fim não se dava por conta de ferramenta porque profissional bom dá conta de qualquer ferramenta.

A decisão do call: não estudar NADA tecnico ainda.

Eu poderia ter falando para ela estudar o CRM novo, estudar SQL. Ia ser mais fácil pra mim e mais inútil pra ela. Porque a insegurança que ela trouxe era técnica, e o problema dela não era técnico.

Então eu comecei por onde eu acredito que começa:

O que significa afinal ser pleno, ser sênior? E para mim é o tamanho da bucha que você resolve sem incomodar ninguém.

Não é quantidade de ferramenta no currículo. Não é certificado. É o quanto você tem autonomia pra resolver o problema que aparece e pra pensar no que fazer com ele.

Na prática: seu chefe chega e fala que a empresa bateu metade da meta de vendas. Ser estratégico é conseguir desmembrar aquilo, ir pro seu quadrado e criar ações que colaborem com aquela meta. Campanha X pra essa base Y, ativar essa automação em cima desse histórico. E, mais importante que criar, saber medir. Entender o impacto daquele e-mail. Entender o impacto daquele abandono de carrinho. Quanto aquilo rendeu.

Porque é isso que faz você ser percebida como quem decide, não como quem executa. Se as pessoas jogam o problema no seu colo e você resolve, você cresce.

E a parte que ninguém gosta de ouvir: capacidade técnica não é o que faz você ser promovida. Ela pode fazer você ser demitida, o que é bem diferente. O que te desenvolve é manter boas relações, comunicar bem, pensar estrategicamente e olhar o problema de forma holística, sem carregar viés demais.

Isso não significa terceirizar o técnico pra IA. Eu falei isso com todas as letras no call: não jogue a planilha na IA pedindo "faça uma análise". Chegue nela sabendo o que você precisa descobrir e deixe ela te ajudar com os detalhes. É mais trabalhoso, e é exatamente por isso que funciona: você aprende a estruturar o raciocínio e aprende a desconfiar do resultado que voltou.

O segundo conselho foi contraintuitivo pra quem é proativa: no primeiro mês, ouça.

Ela é curiosa, é do tipo que já quer chegar fazendo. E o receio dela era justamente esse: chegar e não saber se pergunta primeiro ou se já começa a fazer.

Pergunta primeiro. Muito. E aí pergunta depois de novo e de novo.

É arrogância nossa achar que temos a resposta pra uma solução quando a gente nem entendeu o problema ainda. Eu faço isso como consultora, mesmo quando é esperado que eu já chegue com solução na mão: o primeiro mês é diagnóstico e planejamento. Eu chego, eu ouço, eu investigo, eu olho como o CRM está organizado, eu olho dado.

E tem um detalhe: mas diversos problemas que você vai "descobrir" muitas vezes já estão mapeados lá dentro. Não foi resolvida porque não foi priorizada. É assim que funciona a vida de qualquer operação, inclusive a minha. Eu tenho backlog de régua esperando o momento certo. Se eu quiser fazer tudo, eu não faço nada.

Quem chega apontando o dedo queima capital político. Quem chega perguntando por que aquilo não foi priorizado tem mais informação e conquista quem chegou antes de você. Humildade é a chave para crescer de forma sustentável na carreira.

E é aqui que mora a virada de operacional pra estratégico: priorização.

Dois critérios importantes: impacto e esforço. É lógica de growth, e é o que eu uso na minha operação e na dos clientes toda semana.

Exemplo real, tirado da minha própria lista:

Tenho uma régua de conteúdo semanal, um disparo com os conteúdos que saíram na semana. O esforço é médio, porque ela nunca fica pronta: alguém precisa compilar YouTube, Instagram, tudo, toda semana, e programar. Ok, você deve estar pensando uma IA poderia fazer isso, e sim poderia mesmo, mas o impacto dessa ação é baixo, porque as pessoas já recebem esse conteúdo por outros pontos de contato como a nossa comunidade e recebem em tempo real. Essa régua está no fim da fila. Faz meses.

Tenho uma régua de renovação pra quem entrou na turma mensal, que eu lancei agora pela primeira vez e pra quem eu ainda não tenho régua nenhuma (Shame on me). O esforço é baixo, porque a integração já está de pé. O impacto é altíssimo, porque é receita que renova, e eu tenho um mês pra montar. Essa foi pro topo. Inclusive enquanto você lê essa news já refizemos essa régua e a de onboarding tanto do mensal quanto do anual.

Nenhuma das duas é "boa ideia" ou "má ideia". Uma tem impacto na meta e vai ser priorizada, simples assim.

E priorização não serve só pra escolher o que você faz. Serve pra escolher o que o seu cliente recebe. Uma régua de recompra de 30 dias é mais importante que uma nutrição genérica. Se você não define isso, você constrói jornada em cima de jornada e um dia acorda com um zilhão de comunicação saindo ao mesmo tempo pra mesma pessoa, sem nenhuma hierarquia. CRMs mais robustos deixam você limitar a quantidade de mensagem por dia, e é ótimo ter isso, mas é melhor você priorizar do que deixar o limite decidir por você.

Pra levar pro seu dia à dia:

Se você quer sair do operacional, faça essas quatro coisas antes de estudar qualquer ferramenta nova.

  1. Pegue a sua lista de coisas pra fazer e classifique cada item por impacto e esforço. Só isso já vai te mostrar quanto tempo você gasta em coisa de impacto baixo.

  2. Quando tiver que executar uma tarefa, pergunte qual o impacto daquilo no negócio e qual o resultado final esperado. E questione, questione se você está fazendo da melhor forma para chegar no resultado não o que seu chefe falou para ser feito.

  3. Da próxima vez que aparecer uma meta ou um problema de negócio, escreva quais ações do seu quadrado colaboram com aquilo, e como você vai medir cada uma.

  4. Antes de propor solução em ambiente novo, pergunte o que já foi mapeado e não foi priorizado. E por quê.

E quando não souber, fale que não sabe. É mais bonito dizer "não sei, vou investigar" do que inventar. Eu vejo gente sênior fazendo isso todo dia, e é justamente por isso que continuam sendo consultadas.

Vídeo da Semana

Do 0 à especialista em CRM (Ebook + Aula)

Essa é uma aula fechada do CRM Uni, e eu vou abrir uma exceção pra você que está aqui. Se o Diário de Campo dessa semana te descreveu, o caminho inteiro está nessa aula: por onde começar, o que estudar em qual ordem e o que realmente te tira do operacional.

Novidade da Semana

Manual de Sobrevivência Laboral

A gente construiu esse manual justamente pra essa hora: quando você está começando em lugar novo, quando precisa mostrar valor sem queimar capital político, quando bate a dúvida se pergunta ou se já começa fazendo. É o que eu teria gostado de ter em mãos em cada troca de emprego que eu fiz.

P.S. Me conta de você pegou a referência

🎧 No ar: Café com Retenção

No Café com Retenção eu faço muito cliente oculto: entro, abandono carrinho, olho o que chega no WhatsApp, no e-mail, e analiso o que poderia ser diferente. Se você quer treinar olhar estratégico de graça, é um dos exercícios mais baratos que existem. Faça isso com a sua própria marca antes de qualquer reunião.

E o episódio dessa semana foi COBASI (vale a pena ouvir e roubar umas estratégias por aí, viu?)

Da Estrada

Da Estrada

Eu cheguei atrasada naquele onboarding (desculpa). Saí de uma reunião de time correndo, pedi desculpa, deixei meu sócio terminando o resto.

Eu conto isso porque tem uma pergunta que aparece sempre que alguém descobre que eu moro em outro país, dou aula toda sexta para os alunos do CRM UNI, atendo cliente, gravo podcast, escrevo essa news e ainda tento entender TikTok, que eu odeio, mas insisto porque tem aluno chegando por lá.

A pergunta é: como você dá conta de tudo?

A resposta: Não dou.

Eu tenho régua no fim da fila há meses. Tenho aula que eu prometi subir e subi semanas depois. Tenho um encontro presencial de alunos que eu quero fazer desde o começo do ano e que eu já empurrei pra setembro, quando eu voltar pro Brasil, porque antes disso eu preciso sentar e organizar. Tenho uma vontade de descansar que eu venho negociando com outras prioridades há bastante tempo, e eu não tenho certeza de que estou ganhando essa negociação.

O que eu tenho é uma coisa só, e é a mesma coisa que eu falei pra ela no call: SISTEMAS. Como assim, por exemplo, sexta é do CRM UNI . Sexta eu não vendo. Sexta eu reviso produto, organizo aula, subo material. É o bloco da semana que eu defendo com unhas e dentes.

E essa semana to reorganizando um novo sistema para me ajudar com a produção de conteúdo. Talvez seja isso que separa quem dá conta de quem parece dar conta. Não é volume, é o que você escolheu não fazer essa semana, e a paz de assumir isso sem pedir desculpa.

Eu ainda não fiz paz 100 %com essa parte, pra ser sincera mas sigo trabalhando e melhorando. Mas eu prefiro te contar isso do que te vender uma rotina perfeita que não existe.

Se você está nessa fase de decidir o que solta e o que segura, tem gente boa passando pelo mesmo na nossa comunidade gratuita de CRM. É de graça, é gente boa do campo trocando o que funciona e o que não funcionou.

Até a próxima.

Beijo, Gabi