Nesta edição
Essa edição tem duas conversas que, no fundo, são a mesma conversa.
Uma é sobre um profissional de CRM travado no operacional de uma agência, tentando descobrir se o problema é ele ou o lugar. A outra é sobre mim passando um ano e meio construindo o Notion perfeito da DTM, que nunca ficou pronto.
Nos dois casos, o operacional comeu a parte que só a gente podia fazer.
E tem novidade de estrutura: estreia o quadro Por Dentro da Operação, onde eu abro como a DTM funciona por dentro. O Da Estrada passa a se chamar Reflexões de uma Empreendedora, mesma coisa, nome mais honesto.
PS: Mudei também o layout viu? Vamos evoluindo aos poucos e começamos a segunda fase da nossa tão querida e amada news! Inclusive te convido a compartilhar com amigos da área se essa news faz sentido para você e te ajuda a se tornar um melhor profissional. Só mandar o link news.dtmcrm.com.br
Meme da Semana

Sendo honesta, eu também contrato, eu sei que muitas vezes margem de agência é apertada, mas isso não justifica pagar mal e explorar o profissional, ele precisa ser pago pelo nível que é exigido dele e isso precisa ser claro e bem acordado entre as partes. Uma relação de trabalho é uma troca, eu sei que muitas vezes parece que a empresa tem todo o poder, mas não é verdade. Eu JURO!
Diário de Campo
Toda pessoa que entra na CRM Uni ganha uma call de onboarding comigo. Uma hora, às vezes mais, eu e ela.
Todo mundo fala que eu sou louca. Ticket baixo, produto digital, isso não escala, uma hora você para. Eu sei. Não vou parar. Se CRM é sobre se relacionar, eu vou estar sempre me relacionando. Não dá pra ensinar sobre relacionamento genuino e tratar as pessoas como só mais uma linha, só mais um aluno.
Semana passada foi uma dessas calls.
Do outro lado, alguém que entrou em CRM faz um ano e meio, vindo de copy e social media, contratado pra liderar a frente de CRM de uma agência de tráfego pago.
A pessoa executa. Faz campanha, faz automação, monta jornada. E enxerga o que dá pra fazer além disso: levou proposta de consultoria pra agência, levou visão de negócio, mapeou o que precisava mudar.
Não virou.
Não virou porque tráfego pago é o carro-chefe e CRM é o que sobra. Não virou porque, pra implementar, ia ter que fazer hora extra. E não virou porque o contrato é PJ e incompatível com o mercado fazendo o profissional fazer Uber à noite e no fim de semana pra fechar o mês.
Dois burnouts já aconteceram. A frase que ficou comigo foi mais ou menos essa: se eu continuar nesse ritmo, não sei se chego nos 40.
E infelizmente, isso não é caso raro. É o caso comum.
A que ele me fez era se valia mergulhar em SQL.
Então eu inverti a ordem. Primeiro o mercado, depois a ferramenta. Não vamos falar de SQL, de Salesforce ou qualquer outra ferramenta antes de passar por um desafio que exija isso, mas assim, para não deixar nenhum profiossional sem norte fiz um resumo BEM SIMPLISTA do mercado para ajudar a decidir e se sentir mais seguro nas entrevitas:
Mercado financeiro é Salesforce. Praticamente todo grande está lá, e o Trailhead resolve a falta de contato com a ferramenta.
Startup e vaga fora do Brasil é HubSpot. Muito HubSpot. E o HubSpot tem trial, então você monta uma base e estuda ali dentro de graça.
Varejo menor tende a ficar nas ferramentas nacionais que você provavelmente já conhece.
Ahh e sobre o SQL… pra mim, hoje, não precisa ser expert no assunto. Você pode se virar MUITO BEM com IA, porque eu tenho noção da linguagem e sei exatamente o que pedir. (inclusive tem aula de SQL na formação para você ter essa base, ok?)
E o resto é skill que atravessa qualquer ferramenta: segmentação, planejamento, execução, noção de integração. Caiu numa vaga que pede uma ferramenta que você nunca abriu? Dá uma mexida antes da entrevista. Quem está recrutando quer ver se você se desenrola, não quantos anos daquela ferramenta espqecifica você acumulou.
A segunda decisão foi sobre o Uber.
Se você está fazendo corrida pra complementar renda, faz freelancer de CRM. É a mesma hora do seu dia, você não precisa nem sair de casa, e ela volta em três lugares em vez de um: dinheiro, currículo e recorrência, porque você pode virar parceiro da ferramenta que implementou.
(Como ele fala inglês falei para buscar na upwork um freelancer fora, fica a dica para você também)
Eu falo isso porque foi assim que meu negócio nasceu. Freelance por cima do trabalho fixo, até o freelance passar o salário. E no fim, ali ter uma empresa e não mais uma menina fazendo tudo.
E se vender acompanhamento estiver difícil no começo, foca em implementação. Tem demanda, tem empresa pequena precisando, e depois de entregue você pode oferecer o acopanhamento mensal.
O que mais me marcou nessa call foi que o diagnóstico já estava pronto antes de eu abrir a boca. A pessoa sabia o que estava travado, sabia quem travava e sabia por quê. O que faltava não era clareza. Era alguém dizer em voz alta que dá pra sair, e que sair de um lugar que não te cabe mais não é fracasso.
Saiu da call com um plano e com a decisão de largar um osso que já estava roído.
Essa é a razão de eu não abrir mão do onboarding. As vezes, eu dou um direcionamento tecnico mas muitas vezes é um direcionamento que muda toda a trajetória.
PS: Em seguida, conversei com uma pessoa que estava abrindo uma vaga que se encaixava MUITO bem no perfil dele e já indiquei. Esse espaço me permite conhecer os alunos e fazer pontes com mais sentido
Por Dentro da Operação
Quadro novo. Aqui eu abro como eu estou construindo a DTM por dentro: o que eu testei, o que eu errei, e o que ficou de pé.
Começando pelo mais básico e mais caro de errar, que é onde a operação mora. Qual ferramenta de gestão devo usar? Será que realmente preciso de uma?
Eu sou bem bagunceira, confesso! Por isso, ter uma ferramenta que me permita organizar e controlar minha bagunça sempre foi essêncial, desde a época que era CLT. Então vou te contar a minha saga!
Trello, quase 3 meses. Começo da empresa. Dava pra organizar demanda e resolvia o mínimo. O problema é que ele é simples demais: não permitia personalizar por cliente, e as demandas foram ficando soltas. Serve pra saber o que existe. Não serve pra tocar operação de agência.
Notion, 1 ano e meio. E aqui está o meu erro favorito. O Notion permite tudo, então eu personalizei tudo. Passei um ano e meio construindo o Notion perfeito da DTM e, no fim, ele também não funcionava direito. Eu não estava focando na operação de verdade. Eu estava fazendo manutenção de uma obra que nunca ficava pronta, e chamando isso de organização.
ClickUp, 1 ano. A estrutura do ClickUp é mais fechada, e foi exatamente isso que resolveu pra mim. Ele deixa personalizar, mas não deixa inventar.
O detalhe que mudou o jogo foi bem simples: uma lista por cliente.
Eu comecei com uma pasta por cliente e vi que não fazia sentido, virou camada demais. Uma lista por cliente me dá as duas visões ao mesmo tempo, que é o que uma agência precisa: o todo do que está acontecendo na DTM e o individual de cada conta.
Depois disso foi empilhando. Automação. Pasta de reuniões dentro de cada cliente, o que faz a IA do próprio ClickUp conseguir fechar projeto, organizar as coisas e mandar informação, porque o contexto daquele cliente está inteiro no mesmo lugar.
O aprendizado que eu levo daqui: ferramenta que permite tudo vai cobrar no seu tempo. Ela exige manutenção, exige uma organização muito maior só pra garantir que ela continue funcionando, e essa conta chega depois.
E aqui eu já deixo a pontinha de uma dúvida que sempre aparece: será que eu devo construir a minha própria? A minha visão é que você constrói se não existir. Vou me aprofundar nisso numa outra edição, mas não adianta querer inventar a roda em cima de uma coisa que não é o core do seu negócio. Você está gastando tempo.
Pega uma ferramenta que já foi desenhada pro seu caso, que já foi pensada, e que tem um milhão de empresas parecidas com a sua rodando dentro dela.
E a pergunta que eu faço hoje é uma só: a operação continua andando quando você não está no meio dela? Se a resposta for não, ferramenta mais completa não vai resolver.
É por isso que eu estou construindo o MODUS, o meu projeto novo pra ajudar negócios a construir operações inteligentes.
Se você quer melhorar a sua operação e evitar que ela vire o seu gargalo, me manda um oi no WhatsApp: +5511985623273
Conteúdo Gratuito
🎧 Café com retenção
Vou deixar o nosso episódio do Podcast aqui e quero um feedback ok? Dessa vez analisamos a Pimpolho e essa marca não foi fácil pois é uma marca infantil mas o público e o foco é B2B e como não misturar as coisas? Ouve para descobrir!
Reflexões de uma Empreendedora
Antes de começar, uma boa prática de CRM que cabe aqui: em datas como essa, você pergunta se a pessoa quer receber a comunicação. A gente chama isso de público sensível, e Dia dos Pais é um dos casos mais clássicos que existem.
Eu ainda não tenho esse opt-out montado na news, então vou fazer no modo manual: esse bloco é sobre o meu pai. Se hoje esse for um assunto difícil pra você, pula ele sem culpa nenhuma. A gente se vê semana que vem.
Ontem foi Dia dos Pais e eu estou a alguns kms de distância do meu.
Meu pai e eu somos água e óleo. Ele é metódico. Organizado. Funcionário público. Gosta das coisas no lugar, de planejamento, de segurança, de saber onde está pisando.
Eu resolvi empreender, virar nômade, arriscar, mudar de ideia, mudar de país e, de vez em quando, provavelmente tirar alguns anos da expectativa de vida dele.
Por muito tempo, as nossas diferenças tornaram a nossa relação mais difícil. Porque é difícil entender alguém que enxerga a vida de um jeito tão diferente do seu.
E talvez uma das coisas mais bonitas que o tempo tenha me ensinado sobre relacionamento seja justamente essa: se relacionar não é fazer o outro pensar como você. É aprender a enxergar o mundo pelos olhos dele também.
Hoje eu consigo olhar pro meu pai e entender coisas que anos atrás eu provavelmente só julgaria. O valor da organização dele. Da responsabilidade. Da constância. E principalmente da generosidade. E percebo o quanto disso existe em mim também, mesmo que na minha versão um pouco mais caótica.
Gosto de pensar que eu também coloquei uma pitadinha de caos na vida dele. Que essa filha maluca, que decidiu viver de um jeito completamente diferente daquele que ele imaginava, talvez tenha mostrado pra ele que existem outros caminhos possíveis.
A parte que eu não posto é que essa escolha tem um preço, e o nome dele é saudade.
Hoje eu comemoro por chamada de vídeo. Já foi assim em aniversário, já foi assim em domingo comum, daqueles que não têm nome nem data e que fazem a falta maior. Eu escolhi essa vida, escolheria de novo, e mesmo assim dói. As duas coisas cabem no mesmo dia.
Setembro eu volto. Passagem comprada. Ainda não sei quanto tempo eu fico, nunca sei, e faz um tempo que eu parei de fingir que sei. Acho que dessa vez vai ser mais longo, mas como dizia Raul, eu prefiro ser uma metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo.
Engraçado que eu falo tanto de relacionamento por aqui. Conhecer pessoas, entender comportamento, construir relação que dura. Mas as minhas maiores aulas sobre isso aconteceram dentro de casa, entre um pai extremamente organizado e uma filha completamente caótica. E eu não trocaria essa combinação por nenhuma outra.
Feliz Dia dos Pais, pai. Obrigada por me ensinar tanto sobre a vida, inclusive quando a gente enxergava ela de jeitos completamente diferentes. ❤️
E espero que o seu Dia dos Pais tenha sido muito bom.
E ó, se a saudade é o preço, estar perto de gente é o que eu faço com o que sobra. Call de onboarding que ninguém acha que compensa, grupo, comunidade.
A comunidade gratuita de CRM está aberta, entra:
PS: Agora tem um grupo exclusivo de operações, ok? Confere lá também!
Até Semana que vem!
Gabs


